SAÚDE MENTAL INFANTIL

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AMIGO INVISÍVEL



Francisco B. Assumpção Jr

Publicado em 5 de setembro de 2007


                            AMIGO INVISÍVEL

 

                             Francisco B. Assumpção Jr.

 

 

 

         Com o advento do pensamento pré-operatório, ou seja, do pensamento pré-lógico, a criança paralelamente a começar a pensar, o faz de forma ainda bastante primitiva uma vez que não consegue ainda, utilizar de forma correta categorias como massa, peso, tamanho e tempo, entre outras, de forma a lhe permitir a noção exata da realidade.

         Isso porque a dimensão do real é dada primeiramente a partir do momento em que se checa o dado sensorial ( aquilo que se vê ou se percebe de alguma maneira), depois através do pensamento quando pensamos o fato dentro de um contexto lógico de significados, e por fim, quando confrontamos nossa percepção com a das demais pessoas, criticando-a.

         Nesse momento então, em função da fase de desenvolvimento, a criança não consegue diferenciar de maneira clara o real do imaginário, que passam então a se misturar fazendo com que um fenômeno apareça muito freqüentemente: o amigo invisível.

         A criança tenta assim estabelecer um padrão de relação, com uma figura que imagina e que supre necessidades daquele momento, brincando e se referindo a ela como se fosse pertencente ao mundo real.

         Entretanto, quando questionada de maneira bastante direta, muitas vezes consegue referir que na verdade “aquele amigo não está ali, mas sim na sua imaginação, embora continue a brincar e a se relacionar com ele”.

         Para termos uma idéia melhor do fenômeno, podemos compará-lo com outras ocorrências da mesma época como por exemplo a idéia do “Papai-Noel” que, mesmo quando tem seu conceito checado através da avaliação sensorial, não consegue ser percebido de maneira crítica pela criança.

         Dessa forma, pensar a questão é pensá-la como uma etapa do desenvolvimento infantil, sem tentativas de compreensão ou avaliação sob o ponto de vista do adulto.

 

 

 

 

         A Conduta dos Pais

 

         Normalmente, quando confrontados com esse tipo de fenômeno, a maioria das famílias tende a considerá-lo como uma mentira da criança.

         Entretanto, tal não deve ser levado em conta uma vez que o conceito de mentira implica na possibilidade de avaliação correta de um fato, com a capacidade de crítica inerente a essa avaliação.

         Assim sendo, a presença do amigo invisível não se presta a esse tipo de análise, no mais das vezes embasada somente em uma visão adulta do mundo, de pais que querem, a todo custo, que seu filho seja alguém perfeito, sem no entanto, levar em consideração as suas reais possibilidades em relação a isso.

         Da mesma maneira, a busca de explicações de conteúdo místico, embora possam trazer modelos explicativos satisfatórios para os adultos que cercam a criança, não levam em consideração exatamente o mesmo fato, o de que a criança não pode avaliar o mundo da mesma maneira que o adulto.

         Assim sendo, mais do que buscar implicações de cunho sobrenatural, ou tentar avaliar de maneira valorativa o fenômeno, constatar a presença do amigo invisível significa perceber a criança como ser em desenvolvimento que precisa ser compreendido e auxiliado em seu crescimento.

         Só a persistência do quadro após a idade adequada, ou seja a partir dos 6-7 anos de idade, é que justifica um maior cuidado e a necessidade de uma avaliação adequada.

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