SAÚDE MENTAL INFANTIL

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CONVIVER COM OUTRAS CRIANÇAS



Francisco B. Assumpção Jr.

Publicado em 9 de maio de 2008


                                   CONVIVER COM OUTRAS CRIANÇAS

 

                                                               Francisco B. Assumpção Jr.

 

 

            A criança só convive com adultos e quando encontra outra criança, se assusta, chora e não brinca. O que fazer ?

 

            A criança, até aproximadamente 8 meses de idade, encontram-se em uma fase de desenvolvimento na qual não conseguem reconhecer, de modo adequado, as pessoas que a cercam, atribuindo o significado correto. Por essa razào, é muito fácil ouvirmos alguém falar que ela é “boazinha” uma vez que vai no colo e brinca com qualquer um que dela se aproxime.

            Entretanto, a partir dessa idade aproximadamente, ela adquire algumas características, dentro de seu processo de desenvolvimento que a fazem reconhecer, de maneira extremamente significativa, sua mãe, ou a pessoa que lhe dispensa cuidados.

            Somente a partir do segundo ano de vida é que essa criança passa a incorporar em seu universo, outros elementos da família, caracterizando aquilo que chamamos socialização familiar.

            Isso faz com que, nesse momento, ainda reaja, de modo desagradável,  pessoas estranhas que dela se aproximem.

            Quanto ao brincar, até por voltas dos 4 anos de idade, ela também tem  dificuldades em estabelecer padrões de jogo comunal, fazendo aquilo que é chamado de “brinquedo paralelo”, ou seja, ela brinca ao lado da outra criança, sem no entanto, interagir com ela, e, muitas vezes, estranhando a sua participação e fazendo-a difícil em função de não ter condições de interagir nem de dividir seu material lúdico.

            Só a partir dos 6-7 anos de idade é que a criança vai poder participar, e estruturar, jogos de regras, que são aqueles que imaginamos quando pensamos em brincar.  Assim, jogar bola, ou quaisquer outros jogos, sómente serão levados a contento a partir dessa idade. Também os jogos de construção, tipo LEGO, são utilizados adequadamente a partir dessa idade. Por isso, não adianta se exigir  da criança, mais do que aquilo que ela tem condições de oferecer pelo seu desenvolvimento.

            Com um ano e três meses, seu filho provávelmente ainda tem dificuldades de incorporar outros elementos  adultos em seu universo, embora não os estranhe talvez pela convivência ou porque a aproximação deles é mais fácil. Entretanto, a aproximação de outras crianças é feita quase sempre, de maneira mais desajeitada, o que “assusta” e faz com que seu filho reaja.

            O contato gradativo e prazeiroso com as outras pessoas, inclusive crianças, é que fará com que ela se socialize de maneira adequada. Assim, não pode se perder a dimensão de que embora a mãe deva favorecer o desenvolvimento social da criança, esse é um papel predominantemente afetivo e não técnico. Assim, não existem receitas práticas. A única forma ainda capaz de proporcionar a seu filho uma adequação e um desenvolvimento razoáveis, é você cumprir com um papel, com o qual a espeçie humana tem familiaridade há mais de um milhão de anos. Simplesmente “ser mãe”!

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