SAÚDE MENTAL INFANTIL

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DISTURBIOS ALIMENTARES NA INFÂNCIA



Francisco B. Assumpção Jr.

Publicado em 12 de janeiro de 2009


 

 

                                   DISTURBIOS ALIMENTARES NA INFÂNCIA

 

                                                           Francisco B. Assumpção Jr.

 

 

            Quando falamos em distúrbios alimentares na infância e adolescência, quase que obrigatoriamente pensamos em anorexia ou bulimia. E aí cabe também pensarmos que esses problemas não são tão freqüentes como se imaginam, presentando uma freqüência menor de 1% e, só nos remetendo a eles em função do esquema publicitário a que vem sendo sistematicamente submetidos.

            Entretanto outros problemas alimentares também são encontrados na infância sem que os citemos muito e que, por essa razão nos ateremos a eles.

            Alguns autores referem que um dos quadros de anorexia ( o comer menos do que o necessário) na criança, pode ocorrer ainda no primeiro ano de vida, como conseqüência de alterações na  relação mãe-filho que, se inadequada e insatisfatória faz com que o bebê reaja de uma das únicas maneiras que pode, o diminuir a ingestão de alimentos. Esse quadro, bastante conhecido dos pediatras, principalmente quando trabalham com crianças internadas que são privadas do relacionamento materno, cede de maneira eficaz e significativa quando melhora-se a relação com a mãe.

            Isso é facilmente compreendido quando pensamos que nesse momento de vida a criança está, pelo seu próprio desenvolvimento, estabelecendo um relação dual com a figura materna, a quem reconhece e identifica.

            Outro quadro de anorexia passível de ser encontrado na criança pequena ocorre já por voltas do  terceiro ano e tem como característica a recusa sistemática da alimentação com a conseqüente perda de peso.

            Independentemente de outros problemas somáticos ou psiquiátricos (como por exemplo depressão), esses quadros estão associados a uma conduta negativista da criança que reage de maneira patológica, aos estímulos ambientais.

            Assim, em ambos os casos, paralelamente ao estudo da criança, a avaliação do ambiente, no caso o familiar, deve ser processada uma vez que nessas faixas etárias, o único ambiente que a criança possue e com o qual se relaciona, é o ambiente familiar que, por isso possue uma importância fundamental em seu desenvolvimento.

            Paralelamente podemos observar também quadros bulímicos ( aquelas crianças que comem muito, e muitas vezes mais do que o necessário) na criança podem ser observados, com uma maior freqüência na idade escolar.

            Se pensarmos aqui teremos muitas vezes também a participação efetiva e importante do ambiente familiar com o qual essa criança estabelece relações de dependência e de gratificação levando-a a comer excessivamente para obter um aval de seus pais para quem a criança “bem-nutrida” significa muitas vezes uma criança bem cuidada, ou então, essa alimentação serve  para diminuir a ansiedade, fruto de relações de insegurança ou tempestuosas dentro do contexto familiar.

            Ambientes conflituosos, ansiogênicos e agressivos podem assim, teoricamente, participar da gênese dessas alterações. Assim, pensá-las é, obrigatoriamente, pensar em avaliar-se a criança como uma totalidade. Mais do que somente um organismo com problemas, ela deve ser vista como   um ser biológico inserido em um contexto sócio-familiar com o qual interage e ao qual reage, muitas vezes de maneira patologia, Cuidá-la, significa também cuidar desse ambiente, responsável pelo seu desenvolvimento. 

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