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Artigos
ESCALA DE AVALIAÇÃO

F.B. Assumpção


20 de junho de 2006

 

ESCALA DE AVALIAÇÃO DA ANSIEDADE-TRAÇO INFANTIL – UM ESTUDO DE SENSIBILIDADE E ESPECIFICIDADE

 

 

 

F. B. Assumpção Jr. (*)

C. Renate Resch (**)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

(*) Professor Associado do Departamento de Psicologia Clínica do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo. Professor Livre Docente pelo Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

(**) Psicóloga clínica. Especialização em Psicoterapia Infantil. Orientadora Educacional do Complexo Educacional “Pueri Domus”

 

Endereço para correspondência: R. Otones 697; V. Clementino; São Paulo; SP; Brasil; 04025-002

 

 

 

 


 

RESUMO

 

            Os autores apresentam estudo de validação da Escala de Avaliação de Ansiedade-traço Infantil, a partir de sua aplicação em 30 crianças de dez a dezessete anos (idade média de 11,08 +/- 2,56), sendo 26 do sexo masculino e 4 do sexo feminino, e 30 crianças portadoras de transtorno de ansiedade de separação, diagnosticadas conforme os critérios do DSM IV (idade média de 11,82 +/- 2,56 anos), sendo 16 do sexo masculino e 14 do sexo feminino, avaliadas também através da Escala de Avaliação de Ansiedade Infantil (SCARED).

O Coeficiente Alfa de Cronbach foi igual a 0,864, o coeficiente de correlação de Pearson mostrou que existiram itens que não se mostraram bem correlacionados. A curva ROC mostrou ponto de corte com melhor desempenho, conjunto de sensibilidade e especificidade igual a 41, mostrando boa sensibilidade e especificidade embora diferentes dos obtidos pelos idealizadores do instrumento.

            A Análise Fatorial apresentou os 3 primeiros fatores reproduzindo cerca de 43% da variabilidade dos itens. Entre a escala traço-ansiedade e a SCARED no grupo com queixa, a correlação de Pearson se mostrou igual a -0,0145, com nível de significância (p) = 0,9395 para um N=30, caracterizando que a correlação entre a escala traço-ansiedade e a SCARED foi fraca.

A comparação das médias obtidas com pessoas normais, sem queixas, através do teste t independente, com nível de significância de 5%, mostrou-se significante. O alfa de Crombach só para os itens que foram significantes com a escala total foi de 0,883. Devido a facilidade de uso e sua confiabilidade, acreditamos que, após outros estudos, possa ser de utilidade na prática da Psiquiatria Infantil enquanto instrumento de screening referente aos sintomas ansiosos em geral.

 

 

PALAVRAS-CHAVE: Ansiedade-traço ; Criança; Questionário; Validação.


 

ABSTRACT

            The authors present the Childhood Anxiety-Trait Evaluation Scale validation study by its application in thirty 10- to 17-years-old children, from regular school (mean age 11,08 +/- 2,56 years-old), being 26 male and 4 female children, and thirty 10- to 17-years-old outpatients (mean age 11,82 +/- 3,21 years-old), diagnosed with Separation Anxiety Disorder by the DSM IV criteria, being 16 male and 14 female children, also evaluated through the Screen for Child Anxiety Related Emotional Disorders (SCARED). Cronbach´s alpha was 0,864, and Pearson´s correlation coefficient showed there were itens not well correlated. The ROC curve obtained a cut off point with the best performance, sensibility and specificity in 41, showing good sensibility and specificity, although different from the obtained by the scale creators.

The factorial analysis showed the first three factors reproduce around 43% of the itens´ variability. The Pearson´s correlation was -0,0145 between the Childhood Anxiety-Trait Evaluation Scale and the SCARED in the symptomatic group, with significance level (p) = 0,9395 for N=30, showing a weak correlation between the Childhood Anxiety-Trait Evaluation Scale and the SCARED.

The comparing of means obtained for healthy assymptomatic controls through t independent test with significance level of 5% was significant. The Cronbach´s alpha just for the significant itens with the total scale was 0,883.

            Due to its facility of use and reliability, we believe that, after more studies, it may be of utility in the practice of Child Psychiatry as a screening tool related to anxiety symptoms in general.

 

KEYWORDS: Trait-Anxiety; Child; Questionnaire; Validation.


 

ESCALA DE AVALIAÇÃO TRAÇO-ESTADO PARA ANSIEDADE INFANTIL  – um estudo de sensibilidade e especificidade

 

 

                                               F.B.Assumpção Jr. (*)

                                               Christiane Renate Resch (**)

 

 

INTRODUÇÃO

 

            A nosografia psiquiátrica, baseada principalmente na experiência com pacientes é fundamentada em observações psicopatológicas de cunho eminentemente descritivo com a finalidade de estabelecer a especificidade sintomatológica e sindrômica, tem grandes dificuldades na Psiquiatria da Infância, em função da questão do desenvolvimento, que propicia uma mudança contínua nas características do sujeito.

            A ansiedade, conceituada por Sacristán (1995) como “... uma emoção desagradável característica, induzida pela antecipação de um perigo ou frustração, e que ameaça a segurança, homeostase, ou vida do indivíduo ou do grupo biopsicosocial a que pertence”, é uma das patologias mais importantes a serem estudadas, em função de sua prevalência, que chega a atingir aproximadamente 8 a 10% de crianças com idades inferiores a 10 anos (Bell-Dolan,1993), com uma prevalência entre 2,5 a 5% na população geral e de 10,6 a 24% na população clínica (Jonvent;1999).

            Lewis, citado por Andrade e Gorenstein (2000), caracteriza-a como um estado emocional, com a experiência subjetiva de medo ou outra emoção relacionada, como terror, horror, alarme e pânico, sendo desagradável e podendo chegar a uma sensação de morte ou colapso, direcionada em relação ao futuro com a sensação implícita de perigo iminente sem risco real, acompanhada de desconforto corporal subjetivo, caracterizado por sensação de aperto no peito ou garganta, dispnéia e fraqueza. Paralelamente, podem ser observadas outras manifestações corporais involuntárias, como xerostomia, sudorese, tremor, náusea e vômitos, palpitação e dores abdominais.

            Na criança, seu diagnóstico é difícil, uma vez que depende de uma diferenciação com a própria ansiedade decorrente do processo de desenvolvimento, e que deve ser considerada normal de acordo com as manifestações detectadas em cada idade (Gemelli, 1996). Da mesma forma, manifestações ansiosas podem ser decorrentes somente de aspectos situacionais ou podem estar ligadas a quadros mais complexos que caracterizam um Transtorno Ansioso.

            Em função dessas dificuldades, faz-se necessária a elaboração de testes e escalas enquanto medidas objetivas e padronizadas dessa amostra de comportamento (Anastasi,1965).

            Visando-se seu diagnóstico, principalmente em amostras populacionais, Birmaher (1997) desenvolveu o “Screen for child anxiety related emotional disorders” (SCARED), autoaplicável, para detecção da ansiedade na criança que é, freqüentemente, subdiagnosticada devido à associação com outras patologias psiquiátricas, como depressão ou transtorno bipolar. Assim, o diagnóstico da ansiedade, enquanto um transtorno específico ou não, é importante, pois ela afeta o desenvolvimento infantil, predispondo ao aparecimento de outras patologias psiquiátricas, e pode persistir no indivíduo adulto ou apresentar pior prognóstico, quando não tratada. Entretanto, nem sempre a presença do sintoma ansioso representa a presença de um Transtorno de Ansiedade, uma vez que pode ser decorrente de aspectos situacionais e de aspectos inerentes a própria personalidade do indivíduo em questão.

Dessa forma, o conceito traço-estado baseia-se na concepção de ansiedade proposta por Spielberger e Smith (1966), que os distingue de maneira tal que o estado de ansiedade se refere a um estado emocional transitório, caracterizado por sentimentos subjetivos de tensão, que pode variar de intensidade todo tempo. Trata-se, portanto, de uma reação a situações de estresse com o traço de ansiedade se referindo a uma disposição relativamente estável para responder dessa forma ao estresse, com uma tendência a perceber uma ampla gama de situações como ameaçadoras. Conseqüentemente, o traço diz respeito à parte da estrutura de personalidade do sujeito (Biaggio et al. 1977). Dessa maneira, um instrumento desenvolvido com essa finalidade mostra-se útil para medir a ansiedade em diferentes situações relativas a ensino, esporte e doenças diversas com características clínicas, cirúrgicas ou mesmo psiquiátricas (Spielberger et al. 1966), sem que no entanto caracterize obrigatoriamente um Transtorno Ansioso.

A Escala de Avaliação da Ansiedade-traço na criança (Bouden, 2002) é uma escala clinica, originalmente construída com 34 itens e que apresenta consistência interna elevada (fator a de Crombach= 0,93, sendo 0,88 para o fator psíquico, 0,84 para o comportamental e 0,86 para o somático). A correlação entre itens também é boa com grau de significado superior a 0,5 (coeficiente de Person). Finalmente, sua validade também é boa, sendo sua zona sob a curva ROC de 0,97, com um intervalo de confiança igual a 0,945-1,002 no qual um score de 31 oferece uma sensibilidade de 82,5% e uma especificidade de 97%. Mostra-se assim, um instrumento de screening promissor na abordagem da ansiedade, considerando-se, não o transtorno psiquiátrico específico, mas um fenômeno que ocorre em indivíduos sem transtornos específicos (Biaggio, 1977). Avalia, assim, a ansiedade enquanto sintoma e não como transtorno ansioso, considerando o grau de ansiedade traço, identificando se esta é uma condição constante no indivíduo (Birmaher, 1999), o que nos poderia levar a tentar superpô-la, conforme refere Akiskal (1998), como Transtorno de Ansiedade Generalizada.

Considerando-se essas características, pareceu-nos útil enquanto escala de rastreamento de indivíduos com sintomatologia ansiosa (Andreolli, 2000), porém sem diagnóstico obrigatório de Transtorno Ansioso e, assim, estruturamos este trabalho visando propiciar mais um instrumento adaptado à realidade brasileira, para a utilização clinica e em outros projetos de pesquisa na área. Isso porque poucos são os instrumentos específicos em nosso meio. Optamos, assim, pela realização deste trabalho, tentando validar este instrumento, com eficácia já devidamente comprovada em outro ambiente e que pode ser de extrema utilidade para o pediatra, visando sua utilização como instrumento de triagem de uma sintomatologia, nem sempre vinculada a uma patologia psiquiátrica.

 

MÉTODO

 

            Para adaptação em nosso meio, foi pedida autorização a seu idealizador. Após seu fornecimento, o questionário foi traduzido do francês para o português por psiquiatra com conhecimento da língua sendo, posteriormente, feita a retrotradução por pessoa com conhecimentos da língua francesa e portuguesa (Anexo I).

            Posteriormente, o questionário foi aplicado em 30 crianças, com idades entre dez e dezessete anos (idade média de 11,08 +/- 2,56 anos, sendo 26 do sexo masculino e 4 do sexo feminino), provenientes de escola estadual de primeiro e segundo graus do município de São Paulo, sem nenhuma queixa psiquiátrica associada. Concomitantemente, também foi aplicada em trinta crianças portadoras de transtorno de ansiedade de separação, diagnosticadas conforme os critérios do DSM IV, por psiquiatra com experiência na área (idade média de 11,82 +/- 2,56 anos, sendo 16 do sexo masculino e 14 do sexo feminino). Essas crianças foram avaliadas também através da Escala de Avaliação de Ansiedade Infantil (SCARED) conforme a validação proposta por Barbosa et al. (2002).

            Os dados obtidos foram analisados através do teste t independente com nível de significância de 5%. O teste t-independente é indicado quando se quer comparar dois grupos de informações com nível de mensuração numérica, as amostras são independentes e se deseja saber se em média os dois grupos são diferentes. Considerando-se que o objetivo proposto foi o de validar a escala traço-ansiedade, utilizamos ainda o cálculo do coeficiente alfa de Cronbach, as correlações de Pearson entre a escala total e as escalas individuais e a curva ROC, sendo que com essa, utilizamos um grupo de pessoas com diagnóstico clínico de ansiedade (traço ansiedade segundo DSM IV). Para verificarmos o grau de correlação entre a escala traço-ansiedade e a SCARED no grupo com queixa, aplicamos a correlação de Pearson (Glantz, 1997).

 

RESULTADOS.

 

O presente estudo visou então avaliar a escala traço-estado composta por 34 itens e já descrita anteriormente. Assim, o Coeficiente Alfa de Cronbach foi igual a 0,864. Um coeficiente de 0,80 ou mais é considerado como aceitável para a maioria das aplicações em ciências humanas, razão pela qual pode ser considerado bom para a proposta de validação do instrumento. Foi, entretanto, menor do que o encontrado por seus idealizadores.

Os coeficientes de correlação de Pearson, entre o score total e os vários itens que compõe esse score, são identificados na tabela correspondente, na qual os itens marcados em negrito tiveram correlação significante (p<0,05) com o score total. Cabe, porém, observar que existiram itens que não se mostraram bem correlacionados, a saber, os de números 1, 2, 3, 6, 9, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 18, 19, 20, 21, 24, 25, 26, 28, 29, 32 e 34.

A curva ROC mostra que o ponto de corte com melhor desempenho conjunto de sensibilidade e especificidade é o ponto 41, no qual observamos sensibilidade de 0,733 (73,3%) e especificidade de 0,733 (73,3%). Esses resultados mostram boa sensibilidade e especificidade, embora também diferentes dos obtidos pelos idealizadores do instrumento.

Foi realizada ainda Análise Fatorial, na tentativa de formar fatores com os itens da escala que reproduzissem de forma mais sucinta as variações existentes nesses mesmos itens. Entretanto, o estudo produziu poucos fatores consistentes (2 ou 3) que pudessem reproduzir com boa margem de explicação as variações dos itens do estudo. Assim, os 3 primeiros fatores obtidos reproduzem cerca de 43% da variabilidade dos itens, quando o ideal seria ter pelo menos 80% dos mesmos. Em função desses resultados, não realizamos a fase de definição dos fatores.

            Em conseqüência, alguns itens (aqueles em que não observamos correlação significante com a escala total) poderiam ser retirados da escala, uma vez que não se correlacionam com o score total. Entretanto, tal fato deve ser melhor estudado e confirmado com outras amostras, pois pode estar acontecendo de esse conjunto de itens formar, na verdade, duas ou mais escalas independentes, e não uma só. Entretanto, isso não foi possível de ser demonstrado neste estudo.

Para verificarmos o grau de correlação observado entre a escala traço-ansiedade e a SCARED no grupo com queixa, aplicamos a correlação de Pearson, que se mostrou igual a -0,0145 com nível de significância (p) = 0,9395 para um N=30. Esses dados mostram que a correlação entre a escala traço-ansiedade e a SCARED foi fraca, ou seja, não há relação entre elas no grupo com queixa. Assim, elas não devem medir as mesmas informações, embora a escala em questão pareça ser um bom instrumento de mensuração da forma usual de reação dessas crianças, uma vez que apontou diferença significante entre os grupos avaliados. Também esse fato deve ser confirmado através de novos estudos.

A comparação das médias obtidas com pessoas normais, sem queixas, através do teste t independente, com nível de significância de 5%, mostrou-se significante, observando-se que o grupo com diagnóstico obteve respostas maiores que o grupo normal (Tabela 3, 4 e Figura 1). Os itens significantes estão marcados em negrito e são aqueles que mais contribuem para a diferença no score total.

            O alfa de Crombach só para os itens que foram significantes com a escala total (22) foi de 0,883, maior, portanto, que o da escala total, o que pode ser indício de que os itens não significantes não contribuem para uma escala mais diferenciada.

 


 

Item

Correlação de Pearson

nível de signficância (p)

N

I1

0,717

0,00001

30

I2

0,491

0,00587

30

I3

0,443

0,01420

30

I4

0,060

0,75168

30

I5

0,324

0,08027

30

I6

0,497

0,00523

30

I7

0,292

0,11694

30

I8

-0,042

0,82573

30

I9

0,488

0,00622

30

I10

0,309

0,09628

30

I11

0,472

0,00844

30

I12

0,651

0,00010

30

I13

0,390

0,03324

30

I14

0,675

0,00004

30

I15

0,396

0,03011

30

I16

0,665

0,00008

29

I17

0,200

0,28931

30

I18

0,601

0,00044

30

I19

0,383

0,03696

30

I20

0,783

0,00000

30

I21

0,491

0,00592

30

I22

0,343

0,06370

30

I23

0,070

0,71156

30

I24

0,423

0,01995

30

I25

0,710

0,00001

30

I26

0,468

0,00906

30

I27

0,279

0,13610

30

I28

0,503

0,00462

30

I29

0,369

0,04452

30

I30

0,268

0,16839

28

I31

0,223

0,23547

30

I32

0,522

0,00306

30

I33

0,086

0,65166

30

I34

0,537

0,00221

30

 

Tabela 1 - Coeficientes de correlação de Pearson entre o score total e os vários itens que compõe esse score,

 


 

Pontos de Corte

Sensibilidade

Especificidade

9,00

1,000

0,000

11,00

1,000

0,033

12,50

1,000

0,067

14,50

1,000

0,133

16,50

1,000

0,167

17,50

1,000

0,200

19,50

1,000

0,233

22,50

1,000

0,267

24,50

1,000

0,300

26,00

1,000

0,333

27,50

0,967

0,333

28,50

0,933

0,367

29,50

0,933

0,400

30,50

0,933

0,500

31,50

0,933

0,533

32,50

0,900

0,533

34,50

0,900

0,600

36,50

0,867

0,600

37,50

0,800

0,667

39,00

0,800

0,700

41,00

0,733

0,733

42,50

0,633

0,800

43,50

0,600

0,800

45,00

0,533

0,833

47,50

0,467

0,867

49,50

0,433

0,900

50,50

0,433

0,933

51,50

0,400

0,933

53,00

0,367

0,933

54,50

0,333

0,967

56,00

0,267

0,967

57,50

0,233

0,967

58,50

0,200

1,000

59,50

0,167

1,000

61,50

0,133

1,000

64,00

0,100

1,000

65,50

0,067

1,000

67,00

0,000

1,000

 

Tabela 2 - Curva ROC para o ponto de corte com melhor desempenho conjunto de sensibilidade e especificidade

 


 

 

Com Queixa

Sem Queixa

Média

47,90

31,70

Desvio-padrão

11,10

13,20

N

30

30

 

Tabela 3 - médias e desvios-padrão entre população normal e população  ansiosa, avaliadas através da escala traço-estado.

Teste t (p)<0,001 *

 

Fig. 1 -gráfico descritivo da diferença entre scores obtidos na população normal e na população diagnosticada através da escala traço-estado.

Intervalo de confiança para a média: média ± 1,96 * desvio-padrão / √ (n-1)

 


 

 

Com Queixa

Sem Queixa

Mann-Whitney

Média

Desvio-padrão

n

Média

Desvio-padrão

n

(p)

I1

2,2

0,8

30

1,3

1,0

30

0,001 *

I2

2,0

1,0

30

1,0

0,9

30

<0,001 *

I3

1,2

0,9

30

1,0

0,8

30

0,390

I4

1,2

1,1

30

0,9

1,0

30

0,304

I5

1,5

1,2

30

1,5

1,1

30

0,891

I6

1,3

1,3

30

0,8

1,0

30

0,130

I7

1,0

0,9

30

1,1

1,0

30

0,708

I8

1,2

0,9

30

0,7

0,7

30

0,033 *

I9

2,2

1,0

30

1,4

1,0

30

0,005 *

I10

1,7

1,1

30

1,2

0,9

30

0,072

I11

0,5

0,9

30

0,7

1,0

30

0,645

I12

2,1

1,0

30

1,4

1,1

30

0,013 *

I13

1,6

1,3

30

0,9

1,1

30

0,039 *

I14

2,0

0,9

30

0,9

1,0

30

<0,001 *

I15

1,7

1,0

30

1,2

0,8

30

0,035 *

I16

2,2

0,9

30

1,9

0,8

29

0,125

I17

1,7

1,3

30

1,0

1,1

30

0,029 *

I18

2,4

0,9

30

1,8

1,0

30

0,014 *

I19

2,0

1,2

30

1,3

1,1

30

0,026 *

I20

1,9

1,1

30

1,1

1,1

30

0,009 *

I21

1,2

1,3

30

0,8

1,1

30

0,246

I22

1,8

1,2

30

1,1

1,2

30

0,038 *

I23

0,7

1,0

30

0,3

0,6

30

0,073

I24

0,9

1,3

30

0,8

1,0

30

0,948

I25

1,6

1,3

30

1,0

1,1

30

0,103

I26

1,5

1,1

30

0,9

0,9

30

0,021 *

I27

1,0

1,2

30

1,3

1,2

30

0,393

I28

0,6

0,9

30

0,1

0,3

30

0,004 *

I29

1,9

1,3

30

1,0

1,2

30

0,011 *

I30

0,1

0,4

30

0,0

0,2

28

0,980

I31

1,2

1,2

30

0,4

0,6

30

0,023 *

I32

0,8

0,9

30

0,6

0,9

30

0,309

I33

0,3

0,7

30

0,1

0,3

30

0,150

I34

0,9

1,2

30

0,3

0,7

30

0,011 *

 

Tab.4 - Comparação entre dois grupos avaliados através da escala traço-estado, um deles composto por pessoas consideradas normais e sem queixa e outro grupo com diagnóstico clínico de ansiedade realizado segundo os critérios do DSM-IV.

teste t-independente com nível de significância de 5%.

 


DISCUSSÃO

            A avaliação psicopatológica da criança é difícil,embora deva ser estabelecida visando a determinação de seus índices populacionais, para que medidas preventivas e terapêuticas possam ser implementadas.

            Neste estudo, avaliamos uma escala específica para sintomas de ansiedade infantil enquanto forma usual de resposta de determinadas crianças. A importância desse tipo de validação deve-se ao fato de termos pouquíssimos instrumentos adequados à abordagem da criança, da mesma forma que os idealizadores deste instrumento referem quando a consideram o único instrumento realizado em árabe dialetal. No Brasil, enquanto instrumento destinado à avaliação de transtornos de ansiedade na infância, temos tão somente a SCARED, validada por Barbosa et al. (2002). Para avaliação do sintoma ansiedade-traço, não possuímos muitos instrumentos padronizados.

            As diferenças que observamos em relação ao trabalho original talvez possam ser compreendidas em razão da tradução realizada e das diferenças culturais entre ambas as populações.

            As diferenças com a SCARED podem ser compreendidas em função desta ser auto-aplicável e, assim, termos com ela uma visão pessoal da criança referente a um quadro de ansiedade de separação e com a escala traço-ansiedade, termos obtido a visão dos genitores (ansiedade-traço) sobre a maneira usual de resposta da criança. Também deve ser considerado o fato de a SCARED procurar avaliar Transtornos Ansiosos propriamente ditos ao passo que o instrumento em questão se propõe a avaliar formas usuais de reação da criança diante de determinados eventos. A irregularidade dos valores obtidos nos diferentes itens pode também ser compreendida pelo fato de que, como a ansiedade corresponde a uma reação complexa, ela pode ser expressa de maneiras diferentes e, freqüentemente, imbricadas.

            Devido à sua facilidade de uso, bem como sua confiabilidade, acreditamos que, após outros estudos, este instrumento diagnóstico possa ser de utilidade na prática da Psiquiatria Infantil enquanto instrumento de screening referente aos sintomas ansiosos em geral, mais do que para a sua classificação diagnóstica. Poderia ser utilizado, portanto, principalmente em Pediatria, para posterior encaminhamento a serviços especializados. Sugerimos, assim, que o estudo deve prosseguir, aumentando-se a amostra estudada para que se observem as diferenças relativas às variações de idade e sexo, devendo-se ainda verificar a estabilidade da mensuração através do tempo, uma vez que ansiedade-traço é manifestação crônica, discriminando-se o sintoma em questão dos sintomas depressivos.

 


 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

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Bouden A, Halayem MB, Fakhfakh R. Étude préliminaire de validation d´une échelle d´anxieté-trait chez l´enfant. Neuropsychiatr Enfance Adolesc 2000;50(2):25-30.

 

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Sacristán JR. La ansiedad en la infancia. La experiencia de la angustia en niños. In: Sacristán JR. Psicopatologia del niño y del adolescente. Sevilla: Universidad de Sevilla, 1995.


                                                           ANEXO  I

 

ESCALA TRAÇO-ANSIEDADE INFANTIL

 

            Nome:

            Sexo:                         Idade:                         Data:

 

            Vocês encontrarão aqui indicações descrevendo os comportamentos infantis ou seus problemas. Leiam atentamente as indicações e escolham o grau de sofrimento da criança em relação ao problema apresentado.

            Indique 0: ausente; 1: raramente; 2: freqüentemente; 3: sempre.

 

1. Tem tendência a se mostrar inquieto ou a ficar preocupado a propósito de qualquer coisa (exames, competições, doenças de pessoas próximas, brigas entre os pais...).

2. Tem tendência a preocupar-se, evitar ou recusar situações novas.

3. Tem tendência a ter dores de barriga.

4. Tem tendência a preocupar-se ou evitar pessoas que não lhe são familiares.

5. Tem tendência a perguntar muito a respeito de fatos cotidianos.

6. Tem tendência a preocupar-se com a volta às aulas, as idas ao quadro negro, os exames.

7. Queixa-se de dores de cabeça.

8. Queixa-se de vários tipos de dores.

9. Tende a ser irritável, nervoso, reclamando de tudo.

10. Tem a tendência de perguntar muito no que se refere a temas insólitos ou surpreendentes.

11. Queixa-se, espontaneamente, de esquecimento ou lacunas de memória.

12. Preocupa-se com o que os outros pensam a seu respeito (colegas, professores, instrutores etc.).

13. Recusa-se a ficar sozinho ou tem medo da solidão.

14. Abandona rapidamente as tarefas iniciadas.

15. Chora facilmente

16. Procura situações de segurança (por contato físico, pela presença e pessoa familiar, por encorajamento).

17. Tem medo de escuro.

18. É sensível às críticas.

19. Apresenta recusas sistemáticas e apresenta “caprichos” (para levantar-se pela manhã, para se vestir, para lavar-se, para fazer as lições da escola etc.).

20. Duvida de seu valor e de seu sucesso (escolar, esportivo etc.).

21. Justifica os maus resultados escolares por esquecimento ou falhas de memória.

22. É instável, agitado, superexcitado.

23. Tem tendência a apresentar problemas digestivos (náuseas, vômitos, diarréias).

24. Tem dificuldades para se alimentar (apetite caprichoso, recusas alimentares).

25. Preocupa-se em ter mau desempenho ou fazer mau aos outros (exames, competições, relacionamento com os colegas ou professores).

26. Tende a se distrair ou apresenta dificuldades em se concentrar.

27. Rói unhas.

28. Queixa-se de opressão no peito ou dificuldades em respirar (independentemente de esforço físico).

29. Tem dificuldades de sono (recusa-se a deitar, tem rituais de adormecimento, exige companhia).

30. Dificuldades em engolir (queixa-se de uma bola na garganta).

31. Sobressalta-se com ruídos.

32. Apresenta pesadelos freqüentes.

33. Queixa-se de que o coração bate muito forte (independente de esforço físico).

34. Tem tendência a apresentar movimentos nervosos (tremores, tiques).

 

(A. Bouden; MB Halayem; R. Fakhfakh. Neuropsychiatrie de I’Enfance et de I’Adolescence; 2002;50(2):25-30)


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