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Biblioteca de Pais
A CRIANÇA AUTISTA

Francisco B. Assumpção Jr.

5 de janeiro de 2008

A CRIANÇA AUTISTA

 

Francisco B. Assumpção Jr.

 

         Você olha e vê uma criança extremamente isolada, que praticamente não olha para quem fala com ela permanecendo a maior parte do tempo a executar movimentos de balanceios com o corpo ou com as mãos, aparentemente sem nenhuma finalidade. Quando você a chama ela age como se fosse surda, nem sequer olhando na direção de onde vem a voz. Em contraposição, ao pequeno ruído de um objeto caindo vira-se e localiza de maneira de forma exata a procedência do chão.

         Enquanto você a olha, permanece balançando pequenos objetos, cheirando-os e levando-os à boca.

         Essa é a descrição clássica daquilo que chamamos de Autismo. Logo que foi descrito, esse problema foi associado a mães com dificuldades afetivas no relacionamento com os filhos, o que, pensava-se, fazia com que ele se recolhesse a esse mundo isolado e sem contacto.

         Hoje, mais de quarenta anos depois das primeiras descrições e, muitos trabalhos de pesquisa realizados, a visão é totalmente diferente.

         Considera-se que o autismo é um conjunto de sintomas e sinais caracterizados por distúrbios no comportamento social (entre eles o isolamento que pode não ser tão intenso como o que descrevemos antes), alterações de linguagem (que variam do mutismo total a uma linguagem bizarra com diminuição da função de comunicação), alterações motoras (os gestos repetidos, balanceios) e uma diminuição da capacidade imaginativa que faz com que essa criança tenha dificuldades para brincar, de acordo com sua idade e condição.

         Todo um conjunto de pesquisas nos leva, cada vez mais, a pensar o autismo como proveniente de problemas predominantemente biológicos (e por isso as mães não tem que procurar nenhuma responsabilidade em terem um filho com o problema), uma vez que ele se acha ligado a uma infinidade de condições genéticas ou ambientais como traumatismos de parto, infecções, intoxicações e outras mais que, além de nos darem uma pista para a busca de suas possíveis causas, nos possibilitam também ligá-lo cada vez mais aos quadros de retardo mental, definindo assim possíveis abordagens terapêuticas.

         Se até meados dos anos 60 a abordagem principal era psicoterápica, na tentativa de se refazerem os primeiros vínculos que a criança desenvolve, a partir dos anos 70 a abordagem é predominantemente educacional e comportamental visando-se a implantação de condutas que permitam uma maior adequação da criança a o seu ambiente.

         Medicação é utilizada como forma de se reduzirem comportamentos que agridem ou dificultam o processo educacional. Comportamentos como auto ou hetero agressividade, hiperatividade e outros impossibilitam ou dificultam a abordagem educacional sugerida e por isso, devem ser minorados, o que se faz através de drogas que são utilizadas pelo psiquiatra que monitorará a sua utilização.

         O atendimento, infelizmente, não é feito por obras do estado ficando, como de costume, relegado a instituições de pais (AMAs) ou particulares. Isso porque ainda, em nosso país, desconsideramos os problemas da criança, principalmente da criança especial, como digno de consideração.

         Esperamos que, quem sabe um dia, o Estado passe a se preocupar com aqueles que não apresentam condições sequer de exigir seus próprios direitos.


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